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quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

EVANGELHO DE SÃO LUCAS 13, 10 - 17

Havia aí uma mulher que, dezoito anos já, estava com um espírito que a tornava doente. Era encurvada e incapaz de ficar bem direita.
Vendo-a, Jesus a chamou e lhe disse:
"Mulher, estás livre da tua doença".


     Uma mulher que frequentava o Templo, portava deficiência física sofrendo com dores terríveis, pois era encurvada, desde seu nascimento. Jesus entrando naquele dia no Templo a encontrou e, compadecido de seu sofrimento a curou.
 
      Este milagre aconteceu num dia de Sábado, dia sagrado para o povo judeu, pois é o dia feito para o descanso do povo que trabalha muitas horas durante a semana.
 
      O Judaísmo deu uma contribuição importante ao mundo, inserindo no trabalho uma ética onde o descanso e necessário e vital.
 
      A escravidão, realidade que o povo eleito viveu dolorosamente no Egito, era uma realidade execrável e jamais se poderia pensar em reviver esta situação. Por isto as normas e leis religiosas contribuíram para que o SHABAT fossse respeitado e jamais profanado. Aos poucos tais normas transformaram-se em um peso esmagador, impedindo as pessoas de até mesmo auxiliarem as outras, caso necessitassem.
 
       Toda tradição ou norma religiosa deve ser compreendida à luz da história para que ela não se transforme num peso.
 
        Pois corremos o risco de cair no erro condenado pelo senhor: sobrecarregar aos outros com fardos pesados, que nós mesmos não suportaríamos, em nome de uma tradição ou costume que mais geram inconformismos e paralisia.
 
        No entanto, a tradição ou costume no âmbito da religião, quando bem compreendida, ajudam-nos a perceber melhor a realidade que celebramos.
 
        Quando nos afastamos disto, nos tornamos duros de coração e cegos ante a necessidade do irmão mais fraco ou necessitado.
 
         O Senhor, na mensagem do Evangelho de hoje, condena justamente esta falta de sensibilidade antes as necessidades do outro, em nome de um falso respeito às normas ou regras "sócio-religiosas".
 
         Precisamente num sábado e numa sinagoga, aos olhos de todos, manifestou o poder da Lei que liberta em detrimento das normas que destroem. Ensina-nos assim que o ser humano é precioso aos olhos de Deus dando-nos, ele mesmo, o exemplo de serviço e cuidado com os que sofrem, revelando que isto é coisa agradável aos olhos de Deus.
 
         Jesus, através de suas palavras e obras, revela-nos a face amorosa e compassiva do Pai. E, para nos conduzir a Ele, propõe-nos caminhos, metas, jamais impondo.
 
         O anúncio do Reino de Deus é proposta de conversão, de mudanças de atitudes, mas dirigida sempre ao homem livre, supõe o acolhimento e a resposta livre de cada pessoa.
 
        Quando a religião oprime, distancia-se de sua essência, torna-se clandestina uma vez que escraviza os inocentes e oprime os fracos.
Do encontro pessoal com o SENHOR DA VIDA, a mulher encurvada sai curada.
 
        Restaurada em sua dignidade, recobra a coragem para viver e, certamente, anunciar e testemunhar a grande Misericórida e o Poder de Deus manifestos através de sua deficiência.

São Nicolau o Taumaturgo, Arcebispo de Mira, na Lícia - 345



sexta-feira, 15 de agosto de 2014

ORAÇÃO AO DEITAR-SE

Adquiri um livro antigo chamado Goffiné - Manual do Christão-, no qual uma Oração está escrita, na primeira página.
Para preservar a memória e também homenagear a antiga dona, tirei umas fotos que permitem ler a oração na íntegra.





sábado, 19 de julho de 2014

ORAÇÃO POR PAI E MÃE

Orando por meu pai e minha mãe, cumpro, Senhor, um dos deveres que me haveis imposto.

Ainda que a voz da natureza se não fizesse ouvir ao meu coração, ordenar-me-ia a vossa lei a obedecer e respeitar a meus pais, socorrendo-os e assistindo-lhes em suas necessidades. Ó Deus misericordioso e justo, que abençoais os filhos por causa dos pais, e que muitas vezes castigais as culpas dos pais, exercendo vossa divina justiça sobre os filhos, permiti que eu vos dê graças pelas mercês que tendes feito a meus pais, e que em seu nome vos peça perdão dos pecados que tenham cometido.

Vós quereis que eu respeite nêles a autoridade que sôbre mim tendes, e que lhes seja devedor da vida que me déstes; retribuí-lhes o que não posso pagar-lhes: recompensai-os dos incômodos e cuidados, que lhes tenho causado. Conservai-os para consolação minha, concedei-lhes largos anos de vida, felizes e sossegados; partilhai com êles a benção dos Santos Patriarcas e fazei que êles abundem em tôda a sorte de boas obras. Amen.

Fonte:
  • Guia ao Céu, 1952.

quarta-feira, 9 de julho de 2014

ORAÇÕES DIVERSAS

NAS TENTAÇÕES



Quando a tentação te visitar, não te espantes nem desanimes.



Deus permite a tentação para nosso bem, para que vencendo-a aumentemos os nossos merecimentos.



"Bemaventurado o homem que suporta a tentação; porque depois que tiver sido provado, receberá a corôa da vida, que Deus tem prometido aos que o amam" (Tgo. I, 12).

Não é um mal ser tentado, o mal é cairmos na tentação.


Na tentação, ora. Êste é o mandado de Jesus. Ora para não caíres na tentação. (Mat. 26,41).

Ora de confiança posta em Deus e com mêdo de ofendê-lo pois a quem teme a Deus não lhe acontecerá mal, porque na hora da tentação Deus o livrará (Ecli. 33,1).


Recita pausadamente a Oração Dominical, detendo-te naquelas palavras:"não nos deixeis cair em tentação", ou recite alguma destas invocações:



Ó Deus, vinde em minha ajuda. Senhor, apressai-Vos em me socorrer - Senhor, em Vós confio, livrai-me de todo o mal - Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós - Ó Mãe de Deus e minha Mãe, lembrai-Vos que sou vosso filho! - Anjo de minha guarda, defendei-me.



Se tiveres pecado, ou dúvida de o teres ou não cometido, arrepende-te e reza devotamente o ato de contrição.


Fonte: 
  • Manual de Piedade Cristã. Silva de Castro.



sábado, 4 de junho de 2011

SÃO PEREGRINO LAZIOSI

foto retirada do blog hágios da trindade



CONHECENDO SÃO PEREGRINO LAZIOSI

Nasceu em Forli, Itália, no ano de 1625. Viveu num contexto de muitas guerras e rivalidades.
Com 18 anos de idade, ingressou na Ordem dos Servos de Maria, depois de receber da própria Mãe de Deus este mandato de se tornar um religioso. Era para todos um exemplo de devoção à Virgem, de penitência e de oração. Empenhava-se com todas as forças para imitar os exemplos de Cristo. Foi acometido por uma doença muito grave: um inchaço numa perna provocou-lhe a erupção de uma chaga infecciosa que se transformou em um c\ãncer terrível, ameaçando não só a perna, como também a própria vida.

Como os recursos médicos eram escassos naquela época, a única solução, para salvar sua vida, seria amputar-lhe a perna.

SÃO PEREGRINO É MILAGROSAMENTE CURADO

Na véspera do dia marcado para operação, Peregrino, com as forças que lhe restavam, se arrastou até uma capelinha que se encontrava no interior do convento dos Servos de Maria, em Forli. Rezou bastante e pediu a Cristo que lhe fosse concedido o milagre da cura. De tanto cansaço e dor que sentia, acabou adormecendo no lugar. De repente, teve a visão que o Cristo estava baixando da Cruz e tocando-lhe a perna. No dia seguinte, o médico chegou para fazer a amputação e pode constatar que já não havia mais nenhum vestígio da doença na perna do santo. À partir deste momento muitos outros milagres começaram a se realizar por intercessão de São Peregrino.

No ano de 1726, a Santa Sé aprovou três milagres operados pela intercessão de São Peregrino: a cura de um menino paralítico; e a cura de uma religiosa e um sacerdote, ambos vítimas de câncer.

No mesmo ano, o Papa Bento XIII elevou Peregrino à glória dos altares, declarando-o santo. Seu corpo, se conserva até hoje na Basílica - Santuário dos Servos de Maria, em Forli, Itália.

SUSTENTA A MINHA CORAGEM

Senhor Jesus, como eu poderia rezar bem quando o mal me esmaga e eu não aguento mais?

Tu que conhecestes o fundo do sofrimento, tu que passastes por ele, sejas hoje bem forte comigo. Tu que tudo suportastes até o fim, ajuda-me a resistir.

Tu que estás vivo, ressucitado, vem tomar sobre Ti minha fraqueza, vem orar em mim com Teu Espírito. E enquanto eu continuo a Tua Paixão, faz passar em mim o sopro da Tua Ressureição.
                                                                                                                           (Pierre Lyonnet)


Piedade, Senhor, eu desfaleço!
Senhor, cura-me!
Porque eu estremeço até os osso, de toda a
minha alma eu estremeço.
Voltai, Senhor, livra-me,
Salva-me por causa do Teu Amor!
                                                  (Sl 6)

São Peregrino............
Rogai por nós!


ORAÇÃO A SÃO PEREGRINO

São Peregrino, humilde servo do Senhor e de sua Mãe;
      eu preciso de sua ajuda e do seu sustento, a doença
torna minha vida difícil e abala a minha fé.
       Ajuda-me a permanecer firmemente na fé e na esperança, como
tu o fizestes assim como tu fostes assombrado pelo câncer.
       Eu gostaria muito de ser curado; mas por esta oração eu peço sobretudo ao
Senhor, a força de carregar cada dia a minha cruz; eu te peço a graça de não me
desesperar; eu te peço enfim, a força de dizer e de mostrar presença de Deus em
minha vida através desta prova.
      Liberta-me das minhas angústias e dos meus medos, para que eu viva este momento
confiante e abandonado nos Braços da Misericórdia, como tu o vivestes.
      São Peregrino, meu irmão na fé, seja meu protetor, meu intercessor depois do
Senhor Jesus, Deus de ternura e de bondade.
                                                      Amém.


São Peregrino...........
Rogai por nós.

Obs: Texto copiado de um folheto da paróquia:


Paróquia São Cristovão
Av. Manoel César Ribeiro, 4851 - Bairro cidade Nova
Pindamonhangaba - SP
www.psaocristovao.com.br

Missas: Todos os dias 4 às 19 horas
No Salão da Comunidade
Santíssima Trindade - Rua dos Curiós, 187 - Loteamento Delta



                   

segunda-feira, 23 de maio de 2011

MEMENTO MORI

MEMENTO MORI






MEMENTO MORI!
PIO EXERCICIO DE PREPARAÇÃO PARA MORTE

Carissimos Filhos da Igreja.

Memento Mori! – Lembra-te que morrerás!

Não sabemos se faremos aquela viagem dos nossos sonhos, nem se compraremos tal casa ou se adquiriremos tais coisas... não sabemos se nos casaremos com tal pessoa e nem se conseguiremos alcançar este ou aquele objetivo, todavia de uma coisa sabemos: um dia morreremos!
Os santos sempre tiveram diante de si a sua morte, afim de que, sempre prontos e preparados, ela não os surpreendesse como um ladrão, como advertiu Jesus no Santo Evangelho.
Coloco aqui para vocês um Pio Exercício de Preparação para a Morte. Sendo feito com devoção a cada mês acompanhado de uma boa confissão sacramental, pode-se ganhar uma indulgência Plenária para o momento derradeiro na hora da morte.
Recomendo este Pio Exercício pois já o pratico.
Colocarei  abaixo as datas que eu escolhi para fazer o Santo Exercício. Quem desejar poderá unir-se também. Escolhi a primeira segunda-feira de cada mês, visto que toda segunda-feira é dedicada ás Almas do Purgatório.



Janeiro – 03
Fevereiro – 07
Março – 07
Abril – 04
Maio – 02
Junho – 06
Julho – 04
Agosto – 01
Setembro – 05
Outubro – 03
Novembro – 07
Dezembro – 05

Santo Afonso Maria de Ligório, em seu livro "escola da Perfeição Cristã" afirma que quando fazemos esse exercício temos os mesmos méritos de um mártir, daí a Indulgência Plenária que se ganha na hora da morte.
Diz o Santo:
"O piedoso Abade Blosio afirma que quem, na morte, faz um ato de resignação perfeita na vontade de Deus será preservado não só do inferno, mas até do purgatório, mesmo que tivesse cometido todos os pecados possíveis. Segundo São Tomás, quem sofre a morte para praticar um ato de virtude, é um mártir. Donde se segue que se tem o merecimento do martírio não só quando se sacrifica a vida pela fé, às mãos do carrasco, mas também quando se recebe de boamente a morte para cumprir com a vontade de Deus e agradar ao Senhor. É este um ato de virtude sumamente grande, porque então dá-se a si mesmo a Deus sem reserva."

Deus abençoe a todos e nos conceda, no fim da vida, uma morte santa.

Pe. Marcelo Tenório.
***
PIEDOSO EXERCÍCIO DE PREPARAÇÃO PARA UMA BOA MORTE


“Estais preparados, porque o Filho do Homem virá na hora, em que menos pensardes” (Lc 12, 40)

“A morte dos pecadores é péssima” (Ps 33)

“Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus Santos” (Os 115)

“Bem Aventurados os mortos que morrem no Senhor, porque as obras deles os seguem” (Apoc 14, 13)

Nota: A nossa eterna salvação depende da graça de uma boa morte. Para conseguir esta graça, deves suplicar muitas vezes a misericórdia divina com fervorosas orações, e fazer, de vez em quando, uma preparação prática para a morte. Não julgues, que este exercício piedoso e salutar torne a tua vida triste e amarga. Pelo contrário, te trará tranqüilidade de espírito, paz da alma, consolação inefável e grande alívio na hora de tua morte. A lembrança da morte preservar-te-á de pecados, dar-te-á força contra as tentações; teu fim será precioso e o trânsito feliz à vida eterna, enquanto que a morte dos que não se preparam, é péssima e porta do inferno. “Vigiai, porque não sabeis, quando o Senhor virá!” Escolhe, pois, um dia em cada mês para consagra-lo ao negócio de tua eterna salvação. Livra-te, quanto possível, dos negócios temporais, e recebe nesse dia os Sacramentos da Confissão e da Comunhão, com muita devoção, como se fora a última vez. Depois, numa meia hora mais livre e tranqüila, recolhe-te na presença de Deus, no teu quarto ou na Igreja diante do tabernáculo, lembra-te vivamente de tua morte e da última agonia, e reza com toda a atenção e devoção os seguintes atos e orações que então nos horrores da morte talvez não possas fazer.

Oração a Maria Santíssima

Ó Maria, concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós.
Ó Maria, refúgio dos pecadores, Mãe dos agonizantes, não nos desampareis na hora da nossa morte, mas alcançai-nos uma dor perfeita, uma contrição sincera, a remissão dos nossos pecados, digna recepção do santíssimo Viático, a fortaleza do Sacramento da Extrema-Unção, para que possamos seguros apresentar-nos ante o trono do justo, mas também misericordioso Juiz, Deus e Redentor nosso. Amém.

(100 dias de Indulgência)
 

Ato de Fé

Creio em um só Deus em três pessoas: Padre, Filho e Espírito Santo. Creio em Jesus Cristo, Filho de Deus, que se fez homem, morreu na cruz para me dar a vida eterna.
Creio tudo o que ensina a santa Igreja Católica, porque Vós, meu Deus, que sois a mesma verdade, o revelastes.
Protesto solenemente na vossa presença, ó meu Deus, e na presença de meu Anjo, que quero morrer verdadeiro filho da santa Igreja, e que tenho horror a todos os pensamentos contrários à fé que o inimigo infernal procure sugerir-me na minha agonia.

Olhando para o Crucifixo e beijando-o

Sim, meu Senhor Jesus Cristo, a despeito de todas as ignomínias de vossa dolorosa morte, eu creio que Vós sois o verdadeiro Filho de Deus vivo.
Aumentai a minha fé, ó Jesus!
 

Ato de Esperança

Meu Deus, ainda que o grande número de meus pecados e sua enormidade me tornem indigno de perdão, contudo o espero de Vós pela vossa imensa bondade e misericórdia infinita.
Espero perdão, Deus de misericórdia, pelos merecimentos de Jesus Cristo, vosso amado Filho.
Vós sois, ó meu Deus, todo o meu amparo; tenho confiança inabalável em Jesus Cristo, vosso amado Filho, e nas vossas divinas promessas, pelas quais Vos suplico que me recebais na hora de minha morte, afim de que eu viva eternamente convosco.

Beijando a imagem de Jesus crucificado

Ó meu Deus, quanto é bem fundada a minha esperança!
Meu Salvador, meu amado Jesus, vendo-Vos morrer na cruz, e derramar pela minha salvação todo o Sangue de vossas veias, qual não deverá ser a minha esperança!
Em Vós, Senhor, espero; não serei confundido eternamente.
Vós, Senhor, sois meu refúgio na hora da minha morte. Fortificai a minha esperança!
 

Ato de Caridade

Majestade amabilíssima, eu Vos amo mais que a vida, e contente a perderei, sacrificando-a por amor de Vós.
Amo-vos de todo o meu coração, sobre todas as coisas, porque Vós sois digno de todo o amor.
Amo também o meu próximo, e mesmo os meus inimigos por amor de Vós. Ó meu Deus, peço perdão de todo o meu coração àqueles que ofendi; e de boa vontade perdôo a todos que me querem mal, e a todos que mo têm feito.

Olhando para o Crucifixo

“Meu Pai, perdoai-lhes, porque não sabem o que fazem”; perdoai-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nosso devedores.
 

Ato de Contrição

Meu Deus e Senhor, tende piedade de mim, segundo a vossa grande misericórdia; e segundo o excesso de vossa piedade, perdoai-me todos os meus pecados.
Não Vos lembreis dos pecados que em minha mocidade cometi, mais por imprudência do que por malícia.
Ó meu Deus, quanto fui ingrato! Mas eu Vos ofereço em união com o precioso Sangue de meu divino Salvador, em satisfação de minhas culpas, um coração extremamente arrependido, e uma alma submergida na amargura de seu íntimo pesar.
Ó dulcíssimo Jesus, não sejais para mim Juiz, mas Salvador!

(50 dias de Indulgência)
 

Ato de Humildade

Quanto me considero feliz na vossa graça, no vosso amor, ainda mesmo nas dores e aflições da enfermidade, ó meu Deus, eu que bem podia estar já no fogo do inferno entre os condenados!
Reconheço, Senhor, que me tratais com suma bondade, pois que, pelos meus pecados, mereci penas infinitas.
Vós sois justo, Senhor, e justo são os vossos juízos! Sei bem porque devo sofrer. Recebemos o castigo que merecemos.
Quero suportar a ira do Senhor, porque pequei contra Ele.
 

Ato de Resignação

Seja feita a vossa vontade, ó meu Senhor; e não a minha. Quereis, meu Deus, que eu morra? Eu me submeto e me entrego absolutamente aos vossos santos juízos; adoro-os com todo o afeto de minha alma, dizendo-Vos do íntimo do meu coração e no espírito de Jesus Cristo, vosso amado Filho: “Meu Pai, se não é possível que este cálice passe, sem que eu beba, cumpra-se a vossa vontade”.
 

Ato de Agradecimento

Ó meu Deus, com a mais profunda humildade Vos rendo graças pelos anos de vida e de saúde que me concedestes, e também pelas dores que sofro, e que hei de sofrer na hora de minha morte, pois que tudo provém do vosso amor.
Dou-Vos, igualmente graças, e jamais cessarei de Vo-las dar por todos os benefícios que recebi da vossa bondade durante a minha vida.
Bendirei ao Senhor em todo o tempo; o seu louvor esteja sempre em minha boca.
Bendito sois Vós, Senhor, no firmamento do céu, e louvável e glorioso para sempre!

Tendo rezado estes atos, faze sentado, com todo o recolhimento, meditando e pensando na hora de tua morte, a seguinte Leitura Espiritual.
 

I

Bem depressa te concluirás neste mundo; por isso olha como vives. Hoje está vivo o homem, e amanhã já não existe!
Em se perdendo de vista, também depressa se perde da lembrança.
Que cegueira e dureza a do coração humano, que só pensa no presente, sem cuidar do futuro!
De tal modo te deves conduzir em todos os teus pensamentos e em todas as tuas obras, como se hoje mesmo houveras de morrer.
Se tivesses boa consciência, não temerias muito a morte.
Se não estás preparado hoje, como estarás amanhã?
O dia seguinte é incerto: e como sabes que o terás?
Ah! Nem sempre a longa vida nos emenda, antes aumenta as culpas.
Oxalá um só dia tivéramos bem vivido neste mundo!
Se morrer é tão medonho, muito mais talvez ainda seja viver por muito tempo.
 

II

Ditoso quem sempre tem na vista a hora da morte, e dispõe-se a cada dia a morrer!
Lembra-te pela manhã que podes não chegar à noite; em chegando, porém, à noite, não contes a chegar até a manhã.
Prepara-te sempre, e vive de tal modo, que nunca te encontre a morte despercebido.
Muitos morrem inesperada e repentinamente, pois que, quando menos se pensar, o Filho do Homem há de vir.
Quando vier essa última hora, bem diversamente começarás a julgar de toda a tua vida passada, e muito te arrependerás de teres sido tão negligente e remisso.
Como é prudente e feliz aquele que se esforça por ser agora em vida, como deseja sê-lo na morte!
Pois o que dará grande confiança de morrer venturosamente, é o perfeito desprezo do mundo, a penitência, a obediência, a renúncia de si mesmo e a paciência em sofrer qualquer adversidade por amor de Jesus.
Em havendo boa saúde, muito fácil é praticar o bem; uma vez, porém, doente, não sei de que serás capaz; poucos se emendam com as enfermidades.
Não difiras para mais tarde tua salvação; melhor é fazer com tempo provisão de boas obras e envia-las com antecipação, que esperar no socorro dos demais, porque os homens se esquecerão de ti mais cedo do que pensas.
Agora é o tempo precioso, agora são os dias da salvação, agora é o tempo aceitável!
Mas que pena, que não o gastes mais utilmente, podendo conseguir com ele o viver eternamente!
Virá, porém, um momento em que desejarás um dia ou uma hora para emendar-te, e não sei se o conseguirás.

III

Ah! Irmão caríssimo, de quantos perigos te poderias livrar, de quantos temores fugir, se estiveras sempre temeroso e desconfiado da morte.
Trata agora de viver de tal modo, que na hora da morte possas antes alegrar-te, que temer.
Aprende agora a morrer para o mundo, para que então comeces a viver com Jesus.
Castiga agora o teu corpo pela penitência, para que então possas ter confiança certa.
Ah! que loucura! Como cuidas que hás de viver muito tempo, se um só dia não tens seguro?
Quantos se deixaram enganar, e, de improviso, foram arrancados de seus corpos!
A vida do homem como sombra passa em um instante.
Faze, faze, agora, meu amigo, o que te for possível, pois não sabes, quando morrerás, nem o que te acontecerá depois da morte.
Enquanto tens tempo, reúne riquezas imortais.
Não cuides senão de tua salvação, e nem te preocupes senão das coisas de Deus.
Em venerando os Santos de Deus e imitando a sua vida, fazer agora deles os teus amigos, de sorte que, quando venhas a morrer, sejas por eles recebido nos tabernáculos eternos.
Vive sobre a terra como peregrino e hóspede, que nada tem que ver com os negócios do mundo.
Conserva o teu coração livre e levantado a Deus, porque aqui não tens morada permanente.
Para o céu é que deves dirigir todos os dias as tuas lágrimas e os teus gemidos, para que depois da morte mereças a felicidade de passar para o Senhor. Amém. (Imit. 1. 23.)
 

Ato de Súplica

Ó meu Deus, concedei-me a graça de receber a minha morte, assim como devo e como Vós quereis. Dai-me a força e as disposições necessárias para executar perfeitamente todos os vossos desígnios.
Santificai a minha morte, meu Deus, pelos merecimentos da morte de vosso amado Filho, fazendo que a divina palavra que Ele disse na cruz: “Meu Pai, perdoai-lhes, porque eles não sabem o que fazem”, me obtenha de vossa bondade a indulgência plenária de todas as ofensas, com que Vos tenho agravado.
Que a sede abrasadora que Jesus teve de vossa glória e de minha salvação, e que exprimiu, dizendo: “Tenho sede”, repare toda a minha tibieza e acenda no meu coração um desejo ardente de Vos glorificar.
Que a palavra com que Jesus Vos encomendou sua alma no momento se sua morte, Vos induza a receber a minha alma no último suspiro de minha vida.
Que a palavra que Ele proferiu, dizendo: “Está tudo consumado”, me obtenha a graça de que consumeis em mim, antes que eu morra, quanto pretendeis para a vossa honra.
Que a água sagrada e o Sangue precioso que saiu de seu lado, lavem as minhas manchas, e que o seu Coração, traspassado por mim, me sirva de refúgio na minha última agonia.
Escondei-me no Coração amorosíssimo de Jesus, vosso amado Filho, meu Salvador. Ponde-me a coberto das ciladas de meus inimigos, nesse divino santuário e nessas chagas sacrossantas.

Lançando os olhos à cruz, beijando-a

Pertenço a Vós, ó Jesus, salvai-me! Vós sois meu protetor, não Vos afasteis de mim, porque a tribulação está próxima, e não há quem me ajude.
Lembrai-Vos de mim. Tende piedade de mim. Vede a minha dor, e perdoai-me todos os meus delitos.
Ato de Aceitação
Meu Senhor e meu Deus, Vós bateis à minha porta; aqui tendes o meu coração aberto para Vos receber; estou pronto a passar à outra vida, logo que assim o queirais.       
Sois justo, Senhor, e reto é o vosso juízo; adoro a vossa eterna justiça, e confesso diante do céu e da terra: Mereço a morte por minha culpa, por minha culpa, por minha máxima culpa.
Ah meu Pai, devo algum dia morrer e descer ao sepulcro. Que castigo tão doloroso! Mas se é grande a vossa justiça, maior é a vossa misericórdia. Vosso divino Filho, Jesus Cristo, meu Salvador, morreu por mim, livrando-me da morte eterna e suavizando os horrores da morte temporal. Se eu aceitar e sofrer a morte por vosso amor, ela será um ato heróico, um sacrifício sublime que Vos agrada.
Assim morreu Maria Santíssima, minha Mãe, e sua morte foi preciosíssima; assim morreram os Santos, e sua morte foi o trânsito feliz à vida eterna.

“Portanto, Senhor, meu Deus, desde já aceito de vossa mão, com resignação e de boa vontade, qualquer gênero de morte, conforme Vos aprouver, com todas as suas angústias, penas e dores” *

Aceito a morte, ó meu Deus, para Vos reconhecer por supremo Senhor da vida e da morte, e para adorar assim com a mais profunda humildade a vossa divina Majestade, o vosso poder divino e o direito absoluto que tendes sobre mim. Quero morrer, ó meu Senhor e Deus, para Vos adorar.
Aceito a morte, meu Deus, como Jesus, em espírito de gratidão e amor. Oh, quanto me amastes desde toda a eternidade! Como poderei retribuir-Vos os inumeráveis benefícios que me fizestes? Nada tenho neste mundo que me seja mais caro que a vida, eu Vo-la dou, de boa vontade, em testemunho do meu amor e de minha gratidão. Quero morrer, para Vos mostrar o meu amor.
Aceito a morte, é meu Deus, pelo zelo de vossa honra, como uma confissão pública que faço de meus pecados, diante de vossa divina Majestade, diante dos Anjos e dos homens e diante de todas as criaturas, como um suplício que quero sofrer em desagravo e reparação de todos os pecados do mundo, e para restituir-Vos, do modo que me é possível, a glória que Vos tirei durante a minha vida. Consinto, pois, que minha alma seja separada do corpo em castigo de tantas vezes se haver separado de Vós pelo pecado. Aceito a perda de todos os meus sentidos em desconto dos pecados que com eles cometi; meu corpo seja enterrado, comido dos bichos, e reduzido ao pó, em castigo e penitência pelos prazeres mundanos, e pelos crimes com que, por meio dele, tantas vezes Vos ofendi.
Ó meu Deus, quero morrer em reparação dos meus pecados e de todos os pecados do mundo.
Enfim aceito e ofereço-Vos a minha agonia e morte, para chamar sobre mim e sobre todos os homens as graças de vossa divina misericórdia. Ofereço-Vos, meu Deus, a minha morte em união com a sagrada paixão e morte de Jesus, pelo Coração imaculado de Maria, para consolar os aflitos, para converter os pecadores, para ajudar aos moribundos e para livrar as almas do purgatório. Assisti-me, Senhor, meu Deus, para que assim minha morte, ainda que dolorosa, seja ao mesmo tempo preciosa, pelos merecimentos de Jesus e pela intercessão de Maria. Amém.

* Nota: O fiel cristão que, em qualquer dia, tendo-se confessado e comungado, com sincero afeto de amor para com Deus, rezar estas palavras, ganhará uma indulgência planária na hora da morte.

"Dê-me, Senhor, agudeza para entender, capacidade para reter, método e faculdade para aprender, sutileza para interpretar, graça e abundância para falar. Dê-me, Senhor, acerto ao começar, direção ao progredir e perfeição ao concluir"
(Santo Tomás de Aquino)


São José, Padroeiro da Boa Morte, Rogai por Nós!

Obs: Copiado integralmente do blog do Padre Marcelo Tenório

Fonte:

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domingo, 20 de março de 2011

TEMPO DA QUARESMA

TEMPO DA QUARESMA

1. Significação dêste Tempo. Durante êstes quarenta dias, os Cristãos se unem intimamente aos sofrimentos e à morte do Divino Salvador, a fim de ressuscitarem com Êle para uma vida nova, nas grandes solenidades pascais.
Nos primeiros tempos do Cristianismo, esta idéia fundamental achava sua aplicação no Batismo dos catecúmenos e na reconciliação dos penitentes. Por tôda a liturgia da Quaresma, a Igreja instruía os pagãos que se pareparavam para o Batismo. No Sábado santo, mergulhava-se nas fontes batismais, de onde saíam para uma vida nova, como Cristo do túmulo. Por sua vez, os fiéis gravemente culpados, deviam fazer penitência pública e cobrir-se de cinzas (Quarta-feira de cinzas), para acharem uma vida nova em Jesus Cristo. Convém reparar nestes dois elementos para compreender a liturgia da Quaresma e a escolha de muitos textos sagrados.
2. Nossa Participação neste Tempo. No Ofício das Matinas do I. domingo, lemos o sermão que o Papa S. Leão Magno, no século V. , dirigiu ao povo, explicando a liturgia da Quaresma: "Sem dúvida, diz êle, os Cristãos nunca deveriam perder de vista êstes grandes Mistérios....porém esta virtude é de poucos. É preciso contudo que os Cristãos sacudam a poeira do mundo. A sabedoria divina estabeleceu êste tempo propício de quarenta dias, a fim de que as nossas almas se pudessem purificar e, por meio de boas obras e jejuns, expiassem as faltas de outros tempos. Inúteis seriam, porém, os nossos jejuns se neste tempo os nossos corações se não desapegassem do pecado".
Lendo estas palavras, parece-nos assistir a abertura de um retiro.
Com efeito, a Quaresma é o grande retiro anual de tôda a família cristã, sob a direção maternal e segundo o método da santa Igreja.
Êste retiro terminará pela confissão e comunhão geral de todos os seus filhos, associados assim, realmente, à Ressureição do Divino Mestre, e ressurgindo por sua vez a uma vida nova.
As práticas exteriores que devem desenvolver em nós o espírito do Cristo e unir-nos a seus sofrimentos, são o jejum, a oração e a esmola.
O jejum é imposto pela santa Igreja a todos os fiéis, depois de 21 anos completos até atingirem 60 anos. Seria engano pernicioso não reconhecer a utilidade desta mortificação corporal. Seria menosprezar o exemplo do próprio Cristo e pecar gravemente contra a autoridade de sua Igreja. O prefácio da Quaresma nos descreve os efeitos salutares do jejum, e aquêles que por motivos justos são dêle dispensados, não o estarão do jejum espiritual, isto é, de se privarem festas, teatros, leituras puramente recreativas, etc.
A oração Assim como a palavra jejum abrange tôdas as mortificações corporais, da mesma maneira compreende a palavra oração todos os exercícios de piedade feitos neste tempo, com um recolhimento particular, como seja: a assistência à santa Missa, a Comunhão frequente, a leitura de bons livros, a meditação, especialmente da Paixão de Jesus Cristo, a via Sacra e a assistência às pregações quaresmais.
A esmola compreende as obras de misericórida para com o próximo. Já no antigo Testamento está dito: "Mais vale a oração acompanhada do jejum e da esmola do que amontoar tesouros" (Tobias 12,8).
Praticando essas obras, preparavam-se antigamente os catecúmenos para o Batismo que iam receber no sábado de Aleluia, enquanto os penitentes públicos se submeteram a elas com espírito de dor e arrependimento de coração.
Saibamos também nós que aquêle que não faz penitência, perecerá para tôda a eternidade (Lucas 13,3).
Renovemos em nós a graça do Batismo e façamos dignos frutos de penitência. Os textos das Missas, a cada passo, nos exortam a isto.
Convém, entretanto, evitar que a nossa piedade seja excitada por compaixão sentimental ou tristeza exagerada. Sim, é um combate, uma morte terrível que vamos contemplar, mas é também, e sobretudo, uma vitória, um triunfo. Em verdade assistiremos a uma luta gigantesca do Homem novo; ouviremos os seus gemidos, seguiremos os seus passos sangrentos, contaremos todos os seus ossos; mas isto é apenas um episódio de sua vida; o desenlace é um grito de vitória, um canto de triunfo.
3. Particularidades dêste Tempo. A côr dos paramentos é a violácea. Omite-se completamente o Aleluia, e o Glória só se canta nas festas dos Santos. Os altares são despojados de seus enfeites e o orgão se cala, menos no IV.  domingo. No fim das Missas do Tempo, o Sacerdote diz: Benedicámus Dómino, em vez de: Ite, Missa est, para exortar os fiéis a perseverarem na oração.
Cada dia dêste Tempo tem a sua "estação", com indulgências especiais e uma liturgia própria, cujos Cânticos e Leituras nos incitam à penitência e à conversão, enquanto as Orações imploram para nós o perdão e a graça.
Fonte:
  • Keckeisen, D. Beda.Missal Dominical.5a Edição.Bahia:Oficina Tipográfica do Mosteiro de São Bento,1949.360 páginas.


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

CRISTUS NATUS EST - NOBIS venite adoremus

 
II. O TEMPO DO NATAL
Deus se dá a nós por Jesus Cristo
 
1. Significação dêste tempo. O Tempo do Natal é o intervalo de quarenta dias, entre 25 de dezembro e 2 de fevereiro. Comparando o Advento à subida de uma montanha, chegamos agora a seu cume - Natal - o ponto mais elevado da primeira parte do Ano eclesiástico.
 
Durante doze dias permacenemos nesta altura, com a celebração das duas fetas principais dêste tempo: Natal e Epifania ou festa dos Reis.
A oitava desta última solenidade é seguida de 6 domingos, número êste por vêzes diminuído pelo tempo da Setuagèsima, que varia conforme a celebração da Páscoa, mais cedo ou mais tarde. Termina o tempo de Natal com a festa da Purificação de Nossa Senhora, que é o oferecimento de Jesus, no templo, pelos pecados do mundo, e assim esta festa já prepara o Mistério da Redenção, que é o assunto do ciclo pascal.
 
Voltemos à festa de Natal. Seu fim é lembrar-nos o nascimento do Salvador e comunicar-nos as graças particulares dêste Mistério.
 
"Propter nos hómines, et propter nostram salútem descéndit de caelis". Por nossa causa e por nossa salvação desceu do céu (Credo).
Sendo e permanecendo verdadeiro Deus, tornou-se verdadeiro homem. Não hesitou em se revestir da forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens e sendo reconhecido pelo exterior como homem.
E sendo homem, atrai todo o gênero humano a Si e o faz seu Corpo místico e sua propriedade. Comunica-lhe a filiação de Deus, tornando-se Irmão de todos e dando aos homens a sua vida, que é a graça santificante.
 
"Deus factus est homo ut homo fíeret Deus". Deus se fêz homem para que o homem se tornasse Deus, diz admiràvelmente Santo Agostinho.
 
Enquanto a festa de Natal se ocupa muito mais com o Menino Deus, no berço, a segunda grande solenidade dêste Tempo, a Epifania, descortina novos horizontes. Êste Menino é o grande Rei, o Soberano que vem à terra fundar o seu reino na humanidade, na Igreja, na alma humana. Reis desta terra vêm adorar a Criancinha em seu presepe e, neste fato, a humanidade Lhe reconhece a Realeza suprema.
Êste menino dominará as nações, pois no fim dos tempos reunirá os seu fiéis num reino celestial, reino de Deus, reino de eterna bem-aventurança. A Igreja procura itensificar êstes mesmos sentimentos ainda depois da festa, nos domingos seguintes. Adoramos nos Intróitos o poder de Cristo-Rei sôbre as criaturas animadas e inanimadas.
 
2. Quais devem ser nossas diposições neste Tempo. Para as almas que se unem à vida da Igreja, que jubilosa quarantena! Isaías, que, durante todo o dempo do Avento, foi o nosso guia, entoa êste cântico de alegria nas suaves matinas de Natal: "Levanta-te, ó Sião, reveste-te de tua fôrça; compõe-te com os vestidos de tua glória, Jerusalém, cidade do Santo; sacode-te  do pó, levante-te, desata a cadeia do teu pescoço, cativa filha de Sião" (Isaías, LII). E S. Leão, explicando êstes brados do profeta, exclama: "Meus caríssimos filhos, nasceu-nos hoje o Salvador: rejubilemo-nos. Para longe todo sentimento de tristeza: eis a aurora da vida. Exulte o Justo, porque a recompensa está perto; o pecador se alegre, eis o perdão; o pagão espere, eis a vida."
 
Esta alegria fará nascer em nossos coraçãos profundos sentimentos de gratidão para com Deus pela Encarnação de seu Filho Unigênito, gratidão que se manifestará pelo sincero desejo de desenvolver em nós, pela prática das boas obras, a vida nova que Jesus trouxe ao mundo. Esperemos que ela sempre cresça e também cresça o Cristo em nós. Eis a obra do Santo Sacrifício da Missa, pois, o que aconteceu há quase dois mil anos, repete-se ainda hoje: a Encarnação do Verbo divino, seu nascimento no presepe de Belém. Na santa Missa, na santa Comunhão, une-se Jesus às nossas almas, escondido sob os véus das espécies eucarísticas, como outrora ocultou o esplendor de sua Divindade sob o humilde manto de sua humanidade. Nossa Belém é o altar!
Nossa gruta é o tabernáculo! Nosso presepe é a nossa alma! Nela, bem longe do tumulto do mundo, Êle quer, no silêncio e na solidão, "tomar nova forma"; quer ocupá-la, imprimir-lhe o sêlo de filha de Deus, transformá-la em Si próprio. A esta alma Deus predestinou "conformar-se com a imagem do filho de Deus". E se somos filhos de Deus, também seremos seus herdeiros e co-herdeiros de Jesus Cristo.
É assim que não sòmente comemoramos e celebramos o Natal, como participamos do Nascimento de Jesus Cristo e dos frutos da Redenção da santa Missa, ao pé da Cruz.
 
3. Particularidades dêste Tempo. A alegria dêste tempo manifesta-se por vários modos: a côr violácea dos tempos de penitência é substituída pelos ornamentos brancos, bordados a ouro ou completamente dourados; os orgãos, mudos no Advento, executam as suas mais jubilosas modulações e o Glória in excélsis Deo ressoa de novo, trazendo-nos ecos pacíficos do presepe. As melodias estão impregnadas de uma doce comunicativa alegria, que se prolonga em tôda a liturgia dêste tempo. As multidões, numa satisfação expansiva, reunem-se nos templos, recordando, por sua assistência às Matinas de Natal, a sincera piedade de antanho.
 
O Sacerdote celebra três Missas, em memória da tríplice geração do Verbo, que Santo Tomaz assim explica: eterna no seio do pai, temporal no da virgem Santíssima e espiritual em cada um de nós. 
 
Fonte:
  • Keckeisen, D. Beda.Missal Dominical.5a Edição.Bahia:Oficina Tipográfica do Mosteiro de São Bento,1949.360 páginas.