domingo, 20 de março de 2011

SEGUNDO DOMINGO DA QUARESMA -ANO A

2º Domingo da Quaresma - Ano A

Comentário ao Evangelho do dia feito por
Santo Efrém (c. 306-373), diácono na Síria, Doutor da Igreja
Opera Omnia, p. 41 (a partir da trad. Brésard, 2000 ans C, p. 292)

«Este é o Meu Filho muito amado»

Simão Pedro diz: «Senhor, é bom estarmos aqui». Que dizes, Pedro? Se ficarmos aqui, quem realizará então o que predisseram os profetas. Quem confirmará as palavras dos arautos? Quem levará a bom termo os mistérios dos justos? Se ficarmos aqui, a quem se referirão as palavras: «Trespassaram as Minhas mãos e os Meus pés»? A quem se aplicarão as afirmações: «Repartiram entre si as Minhas vestes e deitaram sortes sobre a Minha túnica»? (Sl 21, 17.19; Jo 19, 24). Quem realizará o anúncio do salmo: «Deram-Me fel, em vez de comida, e vinagre, quando tive sede»? (68, 22; Mt 27, 34; Jo 19, 29) Quem dará vida à expressão: «Estou abandonado entre os mortos»? (Sl 87,6) Como se consumarão as Minhas promessas, como construiremos a Igreja?

E Pedro diz mais: façamos «aqui três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias». Enviado para erigir a Igreja no mundo, Pedro quer levantar três tendas na montanha. Ainda não vê a Cristo senão como homem e classifica-O juntamente com Moisés e com Elias. Mas Jesus em breve lhe mostra que não precisa de tenda. Fora Ele que, durante quarenta anos, erguera para os Patriarcas uma tenda de nuvem, enquanto eles permaneciam no deserto (Ex 40, 34).

«Ainda ele estava a falar, quando uma nuvem luminosa os cobriu com a sua sombra». Vês, Simão, esta tenda montada sem esforço? Ela afasta o calor sem comportar as trevas, é uma tenda brilhante e resplandecente! Enquanto os discípulos estão surpresos, uma voz vinda do Pai faz-Se ouvir da nuvem: «Este é o Meu Filho muito amado, no qual pus todo o Meu agrado. Escutai-o.» [...] O Pai ensinava aos discípulos que a missão de Moisés estava concluída: de então em diante é ao Filho que deverão escutar. O Pai, na montanha, revelava aos apóstolos aquilo que ainda lhes estava oculto: «Aquele que é» revelava «Aquele que é» (Ex 3, 14), o Pai dava a conhecer o Seu Filho.

Retirado do site Evangelho Quotidiano

II. DOMINGO DA QUARESMA

II. DOMINGO DA QUARESMA
I. cl. sd. - U
Statio ad S. Mariam in Domnica

Como no IV. Domingo do Advento, dia que se segue às ordenações do Sábado das Têmporas, assim também neste domingo não havia outrora Missa própria. Mais tarde, conferindo-se as Ordens no sábado pela manhã, foram compostas Missas dos formulários das Têmporas, para êstes domingos. Os textos, escolhidos para os ordenandos, se dirigem também a nós.
Eis o dia da salvação. É a idéia predominante em tôda a Quaresma.
Se, em outros tempos, por vêzes a esquecemos, importa ao menos aproveitar êste santo tempo para trabalhar em nossa salvação. E de que modo? Vivendo uma vida agradável a Deus, pois é vontade de Deus que a nossa santificação seja o caminho para a salvação (Epístola). Anima-nos a transfiguração do Cristo, que é um modêlo da nossa. As palavras do Evagelho: Escutai-O respondamos no Ofertório, dispondo-nos a meditar a lei de Deus para conhecer a sua vontade. As Orações e os Cânticos, embora testemunhem as ânsias e tribulaões em que se encontra a nossa alma, desmonstram, contudo, uma confiança filial no auxílio de Deus.


Epístola (I Tess. 4,1-7). Irmãos: Nós vos rogamos e exortamos no Senhor Jesus, que assim como aprendestes de nós como convém viver para agradar a Deus, assim andeis de modo a vos aperfeiçoardes cada vez mais.
Sabeis bem que preceitos vos dei em nome do Senhor Jesus. Esta é a vontade de Deus: a vossa santificação; que Vos abstenhais da impureza; que cada um de vós saiba guardar o seu corpo em santidade e honra; não em desejos de sensualidade, como os gentios que não conhecem a Deus. E ninguém oprima nem engane em qualquer assunto a seu irmão; porque o Senhor vingará tôdas estas coisas, como já vo-lo temos dito e atestado. Porque não nos chamou Deus para a impureza, mas para a santificação no Cristo Jesus, Senhor nosso.

Fonte:
  • Keckeisen, D. Beda.Missal Dominical.5a Edição.Bahia:Oficina Tipográfica do Mosteiro de São Bento,1949.360 páginas.




1. DOMINGO DA QUARESMA

1. DOMINGO DA QUARESMA
I. cl. sd. - U
Statio ad S. Joannem in Laterano

Na basílica do SSmo. Salvador são iniciados os jejuns quaresmais, pois neste dia começava outrora a Quaresma (Secreta). É um dos dias mais importantes do Ano eclesiástico.
Com os catecúmenos reunimo-nos nesta igreja, na qual 40 dias depois receberemos a comunicação da vida divina. Para renovarmos em nós esta vida, ouvimos na Missa de hoje salutares ensinamentos.
No domingo da Quinquagésima, predisse Jesus a sua paixão. Aproximando-se de Jerusalém, Tomé convida os outros Apóstolos: Vamos e morramos com Êle. Êste convite também nos é dirigido. Morrer ao velho homem é tarefa de tôda a sua vida, e mais especialmente devemos procurar fazê-lo durante a Quaresma.
Morrer a nós mesmos é vencer o mal que está em nós e o que nos vem de fora. As Leituras, Epístola e Evangelho, nos ensinam que a mortificação e a abstinência são meios poderosíssimos para alcançarmos a vitória. Sendo difícil a tarefa, pedimos o auxílio de Deus (Oração). E que confiamos nesse auxílio, nós o atestamos, fazendo nossas as palavras do Intróito, Gradual, Trato, Ofertório e Communio.
Deus mesmo nos ouve, nos libertará e nos dará a glória. No princípio da Quaresma nos é prometida a Páscoa.

Fonte:
  • Keckeisen, D. Beda.Missal Dominical.5a Edição.Bahia:Oficina Tipográfica do Mosteiro de São Bento,1949.360 páginas.


 

 

 

TEMPO DA QUARESMA

TEMPO DA QUARESMA

1. Significação dêste Tempo. Durante êstes quarenta dias, os Cristãos se unem intimamente aos sofrimentos e à morte do Divino Salvador, a fim de ressuscitarem com Êle para uma vida nova, nas grandes solenidades pascais.
Nos primeiros tempos do Cristianismo, esta idéia fundamental achava sua aplicação no Batismo dos catecúmenos e na reconciliação dos penitentes. Por tôda a liturgia da Quaresma, a Igreja instruía os pagãos que se pareparavam para o Batismo. No Sábado santo, mergulhava-se nas fontes batismais, de onde saíam para uma vida nova, como Cristo do túmulo. Por sua vez, os fiéis gravemente culpados, deviam fazer penitência pública e cobrir-se de cinzas (Quarta-feira de cinzas), para acharem uma vida nova em Jesus Cristo. Convém reparar nestes dois elementos para compreender a liturgia da Quaresma e a escolha de muitos textos sagrados.
2. Nossa Participação neste Tempo. No Ofício das Matinas do I. domingo, lemos o sermão que o Papa S. Leão Magno, no século V. , dirigiu ao povo, explicando a liturgia da Quaresma: "Sem dúvida, diz êle, os Cristãos nunca deveriam perder de vista êstes grandes Mistérios....porém esta virtude é de poucos. É preciso contudo que os Cristãos sacudam a poeira do mundo. A sabedoria divina estabeleceu êste tempo propício de quarenta dias, a fim de que as nossas almas se pudessem purificar e, por meio de boas obras e jejuns, expiassem as faltas de outros tempos. Inúteis seriam, porém, os nossos jejuns se neste tempo os nossos corações se não desapegassem do pecado".
Lendo estas palavras, parece-nos assistir a abertura de um retiro.
Com efeito, a Quaresma é o grande retiro anual de tôda a família cristã, sob a direção maternal e segundo o método da santa Igreja.
Êste retiro terminará pela confissão e comunhão geral de todos os seus filhos, associados assim, realmente, à Ressureição do Divino Mestre, e ressurgindo por sua vez a uma vida nova.
As práticas exteriores que devem desenvolver em nós o espírito do Cristo e unir-nos a seus sofrimentos, são o jejum, a oração e a esmola.
O jejum é imposto pela santa Igreja a todos os fiéis, depois de 21 anos completos até atingirem 60 anos. Seria engano pernicioso não reconhecer a utilidade desta mortificação corporal. Seria menosprezar o exemplo do próprio Cristo e pecar gravemente contra a autoridade de sua Igreja. O prefácio da Quaresma nos descreve os efeitos salutares do jejum, e aquêles que por motivos justos são dêle dispensados, não o estarão do jejum espiritual, isto é, de se privarem festas, teatros, leituras puramente recreativas, etc.
A oração Assim como a palavra jejum abrange tôdas as mortificações corporais, da mesma maneira compreende a palavra oração todos os exercícios de piedade feitos neste tempo, com um recolhimento particular, como seja: a assistência à santa Missa, a Comunhão frequente, a leitura de bons livros, a meditação, especialmente da Paixão de Jesus Cristo, a via Sacra e a assistência às pregações quaresmais.
A esmola compreende as obras de misericórida para com o próximo. Já no antigo Testamento está dito: "Mais vale a oração acompanhada do jejum e da esmola do que amontoar tesouros" (Tobias 12,8).
Praticando essas obras, preparavam-se antigamente os catecúmenos para o Batismo que iam receber no sábado de Aleluia, enquanto os penitentes públicos se submeteram a elas com espírito de dor e arrependimento de coração.
Saibamos também nós que aquêle que não faz penitência, perecerá para tôda a eternidade (Lucas 13,3).
Renovemos em nós a graça do Batismo e façamos dignos frutos de penitência. Os textos das Missas, a cada passo, nos exortam a isto.
Convém, entretanto, evitar que a nossa piedade seja excitada por compaixão sentimental ou tristeza exagerada. Sim, é um combate, uma morte terrível que vamos contemplar, mas é também, e sobretudo, uma vitória, um triunfo. Em verdade assistiremos a uma luta gigantesca do Homem novo; ouviremos os seus gemidos, seguiremos os seus passos sangrentos, contaremos todos os seus ossos; mas isto é apenas um episódio de sua vida; o desenlace é um grito de vitória, um canto de triunfo.
3. Particularidades dêste Tempo. A côr dos paramentos é a violácea. Omite-se completamente o Aleluia, e o Glória só se canta nas festas dos Santos. Os altares são despojados de seus enfeites e o orgão se cala, menos no IV.  domingo. No fim das Missas do Tempo, o Sacerdote diz: Benedicámus Dómino, em vez de: Ite, Missa est, para exortar os fiéis a perseverarem na oração.
Cada dia dêste Tempo tem a sua "estação", com indulgências especiais e uma liturgia própria, cujos Cânticos e Leituras nos incitam à penitência e à conversão, enquanto as Orações imploram para nós o perdão e a graça.
Fonte:
  • Keckeisen, D. Beda.Missal Dominical.5a Edição.Bahia:Oficina Tipográfica do Mosteiro de São Bento,1949.360 páginas.